|
Os cachorros S. Bernardo têm uma taxa de crescimento
extremamente rápida. Durante os primeiros meses de vida eles
adquirem 10 a 13 kg por mês, e então o crescimento
abranda até que atinge o tamanho normal. Um cachorro descoordenado
e especialmente um corpo grande e pesado provoca um esforço
mecânico indesejado ao desenvolvimento do esqueleto. Nos cachorros
gigantes esta pressão pode causar problemas. Em consequências
do seu crescimento rápido e do grau de peso que suporta,
o rádio e o cúbito são normalmente os primeiros
ossos a mostrar sinais de anomalias. Antes das placas de crescimento
fecharem o diâmetro do osso aumenta proporcionalmente à
taxa de crescimento. Posto que a placa do cúbito distal é
responsável por 85% do crescimento do cúbito, e a
placa de crescimento do rádio distal contribui só
70% para o comprimento do rádio. O cúbito distal deve
crescer mais rapidamente que o rádio distal e por conseguinte
aumenta mais o seu diâmetro. Aos 4 ou 5 meses o diâmetro
do cúbito é 50% maior que o do rádio. Aos 5
ou 6 meses, dado que o rádio e o cúbito estão
a crescer tão rapidamente as suas placas de crescimento aumentam
muitíssimo, uma vez que os ossos se sobrepõem. Aos
7 ou 9 meses os diâmetros são mais ou menos iguais
e no adulto o cúbito tem metade do tamanho do rádio.
É importante fornecer uma dieta equilibrada aos cachorros
em crescimento. Os cães de raças gigantes têm
grandes necessidades alimentares durante o seu período de
crescimento extremamente rápido.
A necessidade é maior que noutros cães, mas nas mesma
proporções; podem acontecer problemas quando os cachorros
S. Bernardo são alimentados com uma ração pobre.
Pelo contrário, excesso de suplementos pode provocar anomalias
de crescimento. Dar ao cachorro uma dieta rica em energia e muito
apetitosa, de livre escolha provoca um crescimento exagerado o qual
não é compatível com um bom desenvolvimento
do esqueleto. Nas experiências alimentares, Hedhammer mostrou
que os cachorros gigantes alimentados com uma dieta equilibrada
de escolha livre tinham um número muito maior de doenças
do esqueleto do que os outros alimentados com quantidades restritas.
Problemas de esqueleto provocados por uma alimentação
excessiva incluem coxa valga, displasia da anca, osteodistrofia
Hipertrófica, osteocondrite dissecante, e síndrome
de Wobbler. Hedhammer recomendava que os cachorros em crescimento
deveriam ser alimentados com pequenas quantidades de dietas equilibradas
sem suplementos.
PROBLEMAS JÁ CONHECIDOS
A corpulência dos S. Bemardo cria problemas
em três sentidos:
1° Tamanho (hormona de crescimento), quando excessivo tem efeitos
indesejáveis em muitos tecidos.
2° Crescimento rápido não conduz a um desenvolvimento
óptimo.
3° O grande tamanho no adulto impõe um stress mecânico
adicional aos ossos e esqueleto e predispõe a anomalias anatómicas
que não se observam em cães mais pequenos. Os S. Bernardo
também estão sujeitos a alguns problemas hereditários
que não estão relacionados com a sua estatura.
O S. Bernardo é uma raça acromegálica. A acromegália
produz excesso de pele visto geralmente por cima da cabeça,
peito e ombros donde cai em pregas.
Do excesso de pele resulta a piodermite da prega
do lábio, uma infecção que se desenvolve na
prega profunda do lábio inferior. O tratamento pode ser médico
ou cirúrgico dependendo da gravidade da infecção.
Acromegália e o consequente excesso de pele na cabeça
contribui para o Entropion e Ectropion, ambos vistos no S. Bemardo
com condições congénitas. A Distiquíase
é vista mais frequentemente nos S. Bernardo do que noutras
raças, e pode causar problemas na pálpebra. É
preferível o tratamento cirúrgico tanto para o Ectropion
como para o Entropion, e deve ser feito quando o cão está
quase na maturidade.
OSTEOCONDRITE DISSECANTE
Observa-se em S. Bemardo e outros cães de
raças grandes. Acromegália pode ser a razão
de se ver os Diabetes Melitus frequentemente nos S. Bernardo.
DISPLASIA DA ANCA
Os S. Bemardo têm muito mais displasia da
anca do que qualquer outra raça, machos e fêmeas são
igualmente afectados 43% dos S. Bernardo submetidos a RX pélvico
no Orthopedic Fondation for Animals tinham displasia. A incidência
é certamente muito mais elevada do que estas radiografias
mostram porque há muitos animais afectados que não
fazem.
ACROMEGÁLIA
E a subsequente taxa de crescimento rápido
pode ser a causa da displasia da anca. A displasia do cotovelo tem
sido também observada nesta raça.
GENU VALGUM
É uma deformidade observada em cães
gigantes nos quais os joelhos se dobram pelo meio. Os primeiros
sinais normalmente aparecem quando o cão tem 3 ou 4 meses
de idade e consistem numa relutância em andar. A dor manifesta-se
na extensão da pata traseira. Normalmente, quando o período
de rápido crescimento acaba o cão habitua-se à
deformidade do membro e é capaz de caminhar razoavelmente
bem. O grau de deformação observado dos 8 aos 11 meses
é permanente. Genu Valgum aparece quando a taxa de crescimento
do osso excede a capacidade de circulação para transportar
nutrientes suficientes à metáfise femural distal lateral
e à metáfise da tíbia próxima. O crescimento
abranda nos lados isquémicos das placas de crescimento e
daí resulta a deformação curvatura medial,
o suplemento na alimentação predispõe ao Genu
Valgum.
RETENÇÃO DAS CARTILAGENS DE CRESCIMENTO
Na metáfise do cúbito distal pode
acontecer durante o período de rápido crescimento
no qual o osso cresce mais depressa do que o seu abastecimento de
sangue e provoca falta de vascularização no centro
das metáfises do cúbito e falta de ossificação
normal na cartilagem. Clinicamente, isto é visto como uma
deformação craneal do rádio, uma rotação
de carpo e uma abducção do pé.
OSTEOSARCOMA
É uma neoplasia vista primariamente em cães
grandes especialmente S. Bernardo e Grandanois. Em várias
raças o tumor parece ter predilecção por sítios
específicos. Os S. Bernardo têm tendência para
ter osteosarcoma nos membros da frente e na região da metáfise.
O diagnóstico é feito normalmente através de
radiografias, biópsia e exame Histopatológico que
nos fornecem diagnósticos positivos. O prognóstico
para o Osteosarcoma é geralmente grave, mas não sem
esperança. Se não houver metasteses nos pulmões
recomenda-se a amputação do membro afectado. As melhoras
podem ser observadas imediatamente a seguir à cirurgia mas
o tempo normal de sobrevivência depois da operação
é de apenas seis meses.
Os S. Bernardo são um dos grupos de cães de alto risco
para LINFOMA CANINO. Já se tem observado Hemofilia A nos
S. Bernardo. Outros problemas associados a raças grandes
são: as torsões gástricas e do baço,
cardiomiopatia, higroma, osteodistrofia hipertrófica e artropatias
degenerativas idiopáticas. Estes problemas não são
específicos do S. Bemardo mas são geralmente observadas
em raças grandes e gigantes.
Dr. Mário Santos
|