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Os
monges cedo se aperceberam das qualidades natas daqueles cães
para o socorro nas neve. Durante os últimos quatro séculos
cuidaram da sua criação e ensinamento.
A sua incrível capacidade olfactiva que lhes permite detectar
o cheiro das vítimas sepultadas debaixo da neve a alguns
metros de profundidade. Sobre a neve e nas condições
mais adversas podem encontrar pessoas a mais de 200 metros de distância.
O seu grande sentido de orientação que lhes permitia
regressar ao Mosteiro no meio de grandes tempestades e com caminhos
completamente tapados de neve. Dotados com uma assombrosa intuição
para resolver em décimos de segundo situações
difíceis, nos dias de péssimas condições
meteorológicas eram enviados sozinhos para patrulhar o local.
Dotado de um pressentimento invulgar e de um fino ouvido, consegue
esquivar-se das avalanches e das grandes tempestades de neve a tempo
suficiente de se pôr a salvo. Tudo isto unido à sua
grande resistência física e à possibilidade
de suportar temperaturas inferiores a 20 graus negativos, permite-lhes
fazer uma infinidade de salvamentos. O mais famoso destes "anjos
da neve" foi o cão "Old Barry", que debaixo
de uma forte tempestade de neve encontrou um menino perdido e apareceu
com ele sobre o lombo no Mosteiro. A este notável cão
se devem mais de 40 salvamentos.
Existem várias versões sobre a sua morte. Mas a verdadeira,
segundo o padre Lemmont do Mosteiro, ele morreu de velho e rodeado
do carinho de todos os monges. O seu corpo conserva-se no Museu
de Berna (Suíça).
Sobre as façanhas destes cães têm-se escrito
uma infinidade de histórias. Uma das quais muito conhecida,
sobre uns cães que foram mandados sozinhos patrulhar o caminho.
Passado algum tempo um desses cães regressou ao Mosteiro
dando claros indícios que queria que os monges os seguisse.
Assim o fizeram e conduzidos por ele próprio encontraram
uma pessoa estendida na neve e à sua volta encostados a si,
os outros cães que com o seu calor a mantiveram viva.
Outra das histórias conta, que uma caravana que, guiada por
um monge e seu cão se viu surpreendida por uma avalanche.
O cão conseguiu libertar-se da neve e regressou ao Mosteiro
em busca de ajuda. Seguido pelos monges conseguiram chegar a tempo
de salvar as vidas.
Ao contrário do que muita gente pensa, que a imagem do São
Bernardo com o barril de conhaque ou a mala de primeiros-socorros
ao pescoço não corresponde à verdadeira imagem.
Eram os monges que transportavam o chá quente e os primeiros
socorros para reanimarem os viajantes perdidos.
É no entanto de assinalar que os modernos meios de salvação
aéreos e mecânicos tenham reduzido a actividade tradicional
destes "anjos da neve", símbolos insuperáveis
da força e do heroísmo.
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