Barry

 
A RAÇA NOS DIAS DE HOJE

O declínio da raça coincide com o início da segunda guerra mundial. O motivo fundamental foi a enorme deterioração que adveio da confrontação das grandes raças, desaparecendo as melhores cepas sementales, assim foi encetada uma recuperação da raça iniciada nos anos cinquenta por dois dos maiores criadores do mundo, Antonio Morsiani (Itália) e Alois Schmid (Alemanha).
O Dr. Morsiani, a maior legenda da actualidade (morreu à bem pouco tempo), logrou recuperar a beleza, potência e grande alçado que caracteriza os São Bernardos da idade de ouro. Unindo assim linhas de sangue suíço e alemã, dando assim um toque muito pessoal e logrou uma imagem incrível do standard da raça, conseguindo assim criar e mundialmente admirado um tipo italiano de São Bernardo.
Imortalizando cães como "Zito del Soccorso", "Diana"(a melhor cadela após guerra),"Ellan", "Vincent", "Falco", "Fedor", "Vitorio" e "Sando". Desgraçadamente esta cepa de grandes campeões esgotou-se.
Na pessoa do alemão Alois Schmid, logrou criar cães tão altos como os italianos, muito compactos, muito musculosos, autênticos "panzer" e muito típicos. O seu pai conseguiu durante a segunda guerra esconder e preservar três São Bernardos adultos o que foi absolutamente incrível. Imortalizando assim o seu canil exemplares que perduraram para a história da raça, "Banjo Von Bismarckturn", "Pasha", "Sando", "Boto", "Brando" e "Marco".
Estas linhas de sangue estão totalmente perdidas na Alemanha, podendo dizer-se que este país tem actualmente o nível mais alto da Europa.
Suíça, país originário da raça, está a atravessar momentos muito difíceis. Isto não quer dizer que este país alpino não tenha bons exemplares, mas actualmente não estão à altura que deveriam estar como país originário da raça. Tendo perdido um pouco de orientação.
O Reino Unido merece um tratamento exclusivo. Recorda-se que em 1887, durante o Congresso de Zurich, foi aceite o standard da raça por todos os países, salvo algumas excepções, os representantes ingleses que estiveram no Congresso abandonaram o mesmo por discrepâncias de opinião com os delegados suíços e publicaram o seu próprio standard.
Durante muitos anos os São Bernardos europeus e os ingleses seguiram caminhos diferentes.
O São Bernardo inglês é um cão de excelente estrutura, boa alçada, boa substância e bons movimentos. Diferencia-se dos europeus na estrutura das suas cabeças, eixos cranianos, pouco stop, focinhos alargados e cónicos, beiços inferiores muito caídos. A cor negra muito desejada no seu standard cobre por vezes toda a cabeça.
Os criadores ingleses têm o desejo de estar unificados com o standard oficial da F.C.I.. Importando já de vários países centro-europeus tendo obtido bons resultados.
É de esperar para bem da raça num futuro muito próximo haja um único standard em todo o mundo.
No resto dos países europeus existe uma qualidade muito aproximada, destacando-se a Dinamarca, a Áustria e a Holanda, de todos os outros.
Os primeiros São Bernardos que chegaram aos Estados Unidos da América foram importados do Reino Unido, assim criaram um standard próprio da raça da F.C.I., aproximadamente desde 1887, exemplares concebidos com padrão de raça diferente. Mais tarde precederam à importação da Suíça da Alemanha e de Itália.
O São Bernardo americano é um pouco diferente do europeu. São animais concebidos para exposições, esquecendo o tipo de beleza zootécnica, utilitária e de adaptação dos São Bernardos europeus. O dimorfismo sexual está muito pouco acentuado.
As orelhas estão insertadas bem baixas e o crâneo plano, circunstância que camufula os "handlers" americanos levantando e condensando a frente e a pele da cabeça, parecendo assim que o crâneo seja mais convexo.
As principais diferenças aparecem na longitude das suas extremidades (menor que o 50 por 100 da sua altura à cruz), troncos redondos, e baixa alçada. São superiores aos europeus no seu aparato locomotor, com massa muscular abundante, jarretes sólidos, patas dianteiras muito rectas, com o defeito generalizado de ter as patas traseiras superanguladas.
Os criadores americanos estão tão obstinados com o movimento que não se importam que os seus cães não atinjam a altura mínima exigida pelo standard da raça, mas caminhem bem. Cada dia que passa estão mais baixos.
Esquecem-se os criadores americanos que o São Bernardo é o maior dos mastins, o mais forte de todos os cães. Em minha opinião, estão-se a esquecer da tipicidade da raça o que é uma falta muito grave.

 
 

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